Por favor, entendam...



Recomendada a leitura ao som de Breaking the Habit - Linkin Park


No dia 20 de julho de 2017, um dos artistas mais relevantes no cenário da música mundial (e na minha vida) nos deixou. E por opção. Não, pera... foi opção mesmo? Ou ele achou que era falta de opção? 

Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, tinha uma voz única, daquelas que são das mais marcantes que você vai ouvir na vida. Dificilmente ouvirá outra semelhante, quiçá igual. Mas não apenas sua voz era única. Ele também o era. As letras das canções que embalaram toda a adolescência de milhares de jovens (inclusive a deste que vos escreve) até hoje tem um significado latente e essencial que reflete aquele período de descobertas, formação de caráter e identidade, alojamento no contexto social e NECESSIDADE de expressão.

E justamente em cima dessas canções é que há um ponto no qual, hoje, é necessário refletir. Muitas das letras daquela época (entre 2000 e 2004) eram de cunho autodepreciativo. Sucessos como In the End, Crawling, Somewhere I Belong, Breaking the Habit e Numb, ou outras não tão famosas como Easier to Run, todas essas canções possuem as mesmas características em termos do conteúdo de seus versos. Vale lembrar que só foram citadas canções presentes nos dois primeiros álbuns da banda. Inevitavelmente, surge a pergunta: será que desde o início ele já não estava pedindo ajuda, sem que ninguém percebesse?

Quem conhece a história de Chester sabe que sua vida não foi fácil. Sofreu com abusos cometidos por um “amigo” na infância, e viu seus pais se divorciarem. Isso o ajudou a ceder na briga contra o mundo das drogas. Trabalhou como balconista de fast-food quando jovem e por pouco não desistiu do sonho de ser cantor, e então nós nunca teríamos conhecido seu talento. Chegou a afirmar que tinha se limpado e que agora queria focar no seu trabalho e na sua família. Se casou três vezes e teve seis filhos. Infelizmente, para ele isso não foi o suficiente para continuar lutando.

É muito comum que todos nós achemos que está tudo bem com as pessoas ao nosso redor. Ainda mais no caso dele, que era um astro do rock mundialmente famoso, ainda fazendo sucesso e bastante renomado. Mas, nem sempre é assim que funciona. A pressão da fama, os problemas para lidar com as questões mal resolvidas da vida, as drogas como falsas válvulas de escape, tudo isso é mais que suficiente pra bagunçar a cabeça de qualquer ser humano.

Vide não muito distante, perdemos outro grande nome na música mundial (outro dos meus artistas preferidos). Chris Cornell, vocalista do Soundgarden e do Audioslave, uma das bandas mais reconhecidas na história do rock, era casado e pai de três filhos. Ele foi encontrado morto dentro do banheiro da suíte do hotel onde tinha se hospedado após fazer um show. Se suicidou, da mesma maneira que Chester fez, enforcado. Dois exemplos de homens bem sucedidos em suas carreiras, que enfrentavam demônios tão assustadores que eram capazes de fazê-los se perder e não conseguir deixá-los encontrar o caminho de volta das trevas em que mergulharam.

Esse tipo de coisa acontece com astros do rock, diaristas, empresários de sucesso, estudantes, atletas de ponta, caixas de supermercado, apresentadores de TV, engenheiros, ou com qualquer outro ser humano. Pode estar acontecendo bem ao seu lado neste momento. Pode estar acontecendo com você, inclusive. 

Perceber isso é o passo mais importante: reconhecer o problema. Depois, é pedir ajuda, começando com as pessoas mais próximas a você. Em seguida, é extremamente necessário procurar ajuda especializada. Não importa o quanto você pense que ninguém vai te entender, saiba que esse pensamento ESTÁ ERRADO. Não faz sentido algum. Todas as pessoas passam por problemas e situações difíceis. Todos tem segredos. Todos acham que não existe ninguém capaz de entendê-los de verdade.

Eu mesmo passei por algumas situações na vida que me deixaram completamente sem rumo, sem norte. Só depois que eu me conscientizei de que o problema estava dentro da minha cabeça e comecei a fazer terapia, percebi que eu estava dando forças pra que aquilo que eu mais temia, de fato me dominasse. E ao contrario do que eu pensava, SIM, ALGUÉM ME ENTENDEU. E muito mais do que eu poderia imaginar. Estou falando de um profissional habilitado, que precisa manter o sigilo de suas confissões por questões profissionais. Isso me fez tirar o peso do mundo das minhas costas, e a partir daquele momento eu comecei a caminhar com as próprias pernas. Hoje eu posso dizer que EU ME AMO E ME RESPEITO PRA CARALHO (e eu nem sou essa Coca-Cola toda, viu... na verdade, SOU SIM!).

Portanto, se você se sente triste, desanimado, acha que isso é um problema recorrente e que não passa, se você não consegue encontrar uma solução para isso, PEÇA AJUDA! NÃO TENHA MEDO OU VERGONHA DE FAZER ISSO! Se você conhece alguém que esteja passando por isso, OFEREÇA AJUDA. Essa briga ninguém vence sozinho, mas ninguém perde se for ajudado de verdade, e principalmente, se estiver disposto a se ajudar. 

Mais um aviso: NÃO SEJA UM BABACA! Não caçoe se não entende que aquilo pode ser um problema para o outro. Não ignore ou fique sem levar a sério. As “brincadeiras” descreditam a versão de quem está com problemas e isso acaba só afundando mais quem precisa de ajuda no charco do sofrimento. Você não está sendo engraçado. Só está sendo UM CUZÃO MESMO...

Palavras duras, mas necessárias.

Ajude. Depressão não é brincadeira. E para Chester, Chris, Kurt, e tantos outros que partiram de maneira tão abrupta e dolorosa, descansem em paz.


CVC - Centro de valorização da Vida - Disque 141


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