Fantasmas na carapaça



Recomendada a leitura ao som de
Ghost in the Shell Theme (Resumed) - Kenji Kawai
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Não sinto nada. Não me importo com mais nada.

Parei de sentir, pois não sentia os outros sentindo. 

Ninguém sente nada. E quando ninguém sente nada ao seu redor, fica difícil sentir qualquer coisa. 

Entro no sistema e paro de sentir, pois perde o sentido fazer algum sentido dentro de um todo que não sente nada. 

Não sinto por não sentir. Não mais. Usar os sentidos em um lugar onde ninguém sente nada não faz sentido algum. 

Parei de sentir para conviver. Pois viver onde ninguém mais vive, não é viver, nem mesmo sobreviver. É apenas morrer aos poucos. 

Todos já estão mortos. São apenas fantasmas na carapaça. 

Então, antes morrer de vez, do que agonizar numa vida em que não se vive. 

Sentia que essa escolha não fazia sentido. Mas então, percebo que mesmo que sempre se possa escolher, nem todos escolhem escolher algo. 

Sentir é belo, puro, lindo. Todos dizem. Ninguém o faz. Não verdadeiramente. Tentam se entregar quando sentem que há garantias. 

Tolos. Nunca houve garantia de nada. Nunca haverá. 

Nunca viverão. 

Permanecerão na ilusão de que não sentir é o caminho mais seguro para não sofrer. E talvez, seja. 

Sofrer é viver. Amar é viver. 

Ninguém ama. Ninguém sofre. Ninguém sente. 

Ninguém está vivo. Eu não estou vivo. Não mais. 

Sou como eles. 

Sou um fantasma. Em uma carapaça.


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